essência ouro, brilho mistério.
"Uma imagem não é simplesmente um objeto visual. Há um objeto
de percepção através dos diferentes sentidos. Um objeto visual não é
exatamente um fato óptico, mas uma imagem da luz captada pelo olho e
pelo cérebro. Um cego pode ter uma imagem com seus outros sentidos.
Sabe-se que alguém que perde a audição pode compor música com imagens
sonoras em seu cérebro. Não se tem somente a memória da audição, mas se
tem sobretudo a imagem sonora” (UNO, Kuniichi. Hijikata Tatsumi: pensar
um corpo esgotado. São Paulo: n-1 edições, 2018, p.230)."
Sonho meu.

ATRASEI MEU PASSADO, ALI NO CANTO.
NAQUELE CANTO.
OLHA LÁ.
OLHA DIREITO, OLHA MAIS PERTO, sou eu ali.
Adiei meu passado, ficando ali naquele canto, quase preso no sufoco calor daquelas paredes, ali do canto. Mal me olhava, mal me sentia, já era aquele estado. petrificado, imóvel quase apático.
Naquele canto, eu sentia a parede escorrer em mim, sentia aquela massa densa e pesada, escorrer em mim. Suportei aquele peso, fiz dele meu cobertor. Suei quente junto dele.
O que me escorre não sou, ali naquele canto.
Ali naquele canto, não sou eu o que me escorre.
O que me escorre ali naquele canto, não sou eu.
Naquele canto, não sou o que me escorre, ali.
Cansei. Derreti, me esparramando por todo aquele canto, virei lava.


O cheiro abafado, eu sabia. Na mudança estava o presente.
O novo, o belo, o corpo, o eu.
Olhei para aquilo tudo, tudo muito vasto, muito extenso, deixei escorrer.

Liquido talhado saiu de lá. Daquilo que era, parede, massa, não disse eu.
Do presente me esbanjo no manifesto daquele suco. Novo corpo.
O cheiro, outro, bem diferente daquele que ficava ali, no canto.
Agora sinto um cheiro fino, que toca a alma de tão honesto que se põe a ser por toda parte. Eu o sigo, sem controle e saio do canto. Daquele canto.

Faço do meu caminho um compartilhar, participo das relações que se dão por dentro de mim. Caminhando por dentro eu me deixo sair.


January 2, 2025.
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